Vr.Ironic

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Fitando o Passado...


Da fila do banco ao sofá de casa.

“Eu não sei se choro mais, ou se rio mais”, só sei que despertou dentro de mim a minha própria história, os sonhos e desejos pelos quais eu não lutei! Perfeito! – Foi o que escrevi na mensagem que enviei para minha amiga as onze e quarenta cinco do dia oito de julho, me referindo ao livro que havia me emprestado. –Naquele dia Junto ao Mar, de Karina Dias;

Saí de casa logo cedo no dia anterior, para resolver problemas e pagar contas. O livro estava na mochila há quatro dias, desde o dia que o peguei. O deixei lá, com a intenção de iniciar a leitura em qualquer lugar durante alguma fila de espera, pois, sabia que o dia seria longo em filas de banco, e lojas. Gostava de manter a calma e a paciência nesses momentos, fugindo dessa realidade ouvindo música e lendo;

Após resolver algumas coisas rápidas, encontrei com uma amiga e fomos almoçar; Antes passamos no último Banco da lista do dia e pegamos uma senha; Susto ao olhar a tela de chamada: senha 165, a minha senha era 363! E fomos almoçar rindo da minha desgraça!

Fica a dica pra você que não tem muita paciência em filas: Pegue uma senha, tente resolver outra coisa caso tenha muita gente a sua frente, ou adiante o almoço, um lanche, evite ficar o tempo todo no mesmo lugar, leve um livro, revista ou ouça música sem ansiedade e sem olhar pro relógio, isso só aumenta a impaciência!

Almoçamos, conversamos e entre uma cerveja e uma água de coco, passaram-se uma hora e meia; tempo supostamente suficiente para chegar a minha vez não acha? Pois é... Mas não foi! Ao retornar pra fila do banco, desanimada, olhei a tela, a senha da vez era 316... 363... Conta rápida de cabeça: 47 pessoas ainda a minha frente; Já era três e quinze, o banco fecharia as portas e eu continuaria lá dentro até ser atendida, é um saco mesmo!

Lembrei do livro na mochila! Coloquei o fone do celular e me acomodei em um lugar onde pudesse ver a tela, já que não tinha poltrona disponível, acomodei-me em pé mesmo.

Em menos de quinze minutos me vi envolvida com a história que comecei a ler, produzia expressões de riso, me movia como se estivesse dentro dos locais ali descritos, me peguei analisando cada personagem, como se conhecesse alguém que se encaixava perfeitamente naquelas linhas. Logo me envolvi e deixei emocionar-me, chorei, sorri, e quando não esperava, estava chamando a atenção de estranhos a minha volta, que curiosos tentavam visualizar a capa do livro! Saltei de meu delírio e voltei ao banco, notei que a senha da vez já passava de 340... Foi quando pensei comigo mesma: Tá doida? Rindo sozinha, quase falando, deixei os olhos encherem de lágrimas... Será que é mais ‘’bisonho’’ envolver-se numa leitura em público assim, ou assistir jogo de futebol, no bar, sozinha? Preocupo-me com o que poderiam responder aqui!

Voltei à leitura, de olho no painel... Deixei me envolver novamente! Há muito tempo não ficava assim... Agora no alto da leitura, além de rir e chorar excitava-me junto com as personagens. Já estava sentido um ar quente entre as pernas e fiquei ofegante... Fechei o livro, no susto, respirei fundo e esperei chegar até minha vez antes que eu me perdesse no tempo e passasse a minha senha também!

Ouvindo música, notei que já estava na fila há mais de uma hora, e então ‘’din-don’’ soava a tela, chamando 363, até que enfim!

Já não bastasse às pessoas em volta tentando ver o que eu estava tão entretida lendo, a moça do caixa não dispensou o comentário e antes de passar o troco disse: - Muito bom esse livro! Adorei quando li!- Citou ao ver o livro em cima da mesa. Sem graça, respondi, é bom mesmo, mas acho que comecei a ler no lugar errado! Ela sorriu desconfiada, e me desejou boa leitura! Saí com o riso sínico no canto da boca e olhei pra trás antes de deixar o local, ainda cheio de gente.

Naquele momento queria parar na praça, na alçada, sei lá em qualquer lugar pra continuar lendo. Mas tendo em vista minhas reações decidi ir pra casa e ler só à noite, em paz, no meu canto.

As luzes se apagaram, quando todos estavam na cama , continuei ansiosa a leitura. Deitei-me ao lado da minha mãe, e ascendi à lanterna do celular sobre meu colo, para não incomodá-la. Segurei o livro e me aconcheguei no cantinho da parede. A leitura me possuía e eu não queria parar de ler cada pequena página, curiosa e ansiosa pelo destino daquelas garotas que se encontraram como coisa do destino, e se atraíam como ímã rente ao ferro; De repente me vi incomodada ao estar ao lado da minha mãe! Por quê? Bem, porque a sensação que, a leitura estava provocando em mim pode-se dizer que não era pura ou digna de estar na cama da minha mãe! - Ai que saudade da época que morava sozinha, e que ler ou ver DVD, ouvir música e praticar auto-ajuda não significava ter que sair da cama! Nooossaaa! Como aquilo me tomou, e o sofá era o meu destino! Parecia uma ladra, com uma lanterna na mão, com medo de ser pega por alguém... Mas só buscava um pouco de privacidade pra sentir o que aquela história trouxe de dentro de mim.

(...) “Segurei seus pulsos sobre a cabeça e deixei meu corpo cair lentamente sobre o dela. Sua respiração ofegante batia em meu rosto. Seus olhos não desviavam dos meus. Senti seu sexo molhado, quando ainda estava com minhas pernas entre as suas (...)” ... Entende agora porque fui pro sofá?

Aquelas palavras entravam na minha cabeça como uma máquina do tempo, me levava a algum lugar o qual eu já havia estado antes! Como se soubesse exatamente o que elas estavam sentido!

O calor entre seus corpos, a coisa de ímã, o fogo que não podiam controlar, poderia sentir o cheiro de cada uma de tão bem descrita que estava aquela narração!

Era a mim que eu via ao visualizar o perfil da menina boba apaixonada aos vinte e poucos anos, que mudaria completamente a sua vida por amar daquela forma. Não eram as histórias, ou o enredo, mas sim a paixão, a ligação de amor e excitação, de sexo e libido, uma perfeição de misturas, sons, sabores que vieram à tona, de dentro de mim... Lágrimas caiam pesadas, molhavam aquelas páginas que me fizeram deslizar a mão até a minha genital, e me tocar como se não fosse eu mesma, voltando a um passado feliz, o qual aquela narração me remeteu!

Sim, eu me tocava, e me contorcia no sofá, despreocupada em alguém acordar, evitava fazer barulho, só me concentrava na descrição da cena que acabara de ler, e logo estava inserida nela!

Explodia de tesão e lágrimas, pois ao abrir os olhos, estava só, sem ela, sem a única pessoa que já provocou amor e ódio em mim. Chorava como criança, ao mesmo tempo enxugava o gozo de uma mulher sozinha, o gozo que há um tempo eu não me proporcionava, nem ninguém mais;

Quando voltei a mim, resolvi deixar os capítulos para o outro dia, e fui pra cama. Nessa hora, dormi de tanto chorar como criança quando quer uma coisa e não é atendida.

No dia seguinte, devido a minha gripe, fiquei de molho em casa, o dia estava chuvoso e já pode imaginar que gostoso seria ficar na cama, com chuva e lendo algo tão bom assim, né?

O dia foi passando, entre uma coisa e outra quando não me incomodavam, permanecia atenta, nem piscava, queria saber logo o fim daquela história. Parei pro almoço, pra janta, depois para colocar todos na cama e logo mais uma vez sozinha com a lanterna do celular pude terminar o último capítulo que deixei pra ler a noite propositalmente, depois de ter feito três sessões de auto-ajuda durante o dia!

Sim, tarde da noite a única coisa que quebrava o silêncio além da minha tosse seca, eram os meus suspiros e a corisa, depois de chorar muito com o fim do romance. Antes da última página, mais auto-ajuda, choro, lembranças daquele amor que comparei com o das personagens, um amor latente, forte, indestrutível, mas que foi abalado, e imortalizado pela falta de confiança, fidelidade, respeito e lealdade.

Voltei ao passado, fitei com detalhes a história de amor da minha vida, tudo que passei, superei, sofri, tudo que mudou, e ainda hoje, mesmo afirmando pra mim mesma e ao mundo, que esqueci, admito que, ninguém conseguirá me tocar como ela me tocou. E se um dia o destino bater a minha porta dizendo é a sua “última chance” juro que não vou desperdiçar!

Talvez nunca mais ame como um dia eu amei, talvez não seja capaz de perdoar como um dia já perdoei. Por isso registro aqui que a mulher da minha vida, já foi minha noiva, já foi minha parceira, minha cúmplice, amiga, incentivadora, e além de tudo, me tornou no que sou hoje! Uma romântica incorrigível... louca para reencontrar o amor, um amor como Duda e Gaby me fizeram reviver hoje!









4 comentários:

  1. Eu tenho esse livro... é perfeito!
    Todo mundo espera um amor como o de Duda e Gaby... Sorte pra gente!rs..
    Parabéns pelo texto! Vc escreve mto bem!
    =)

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  2. E eu agora espero o SEU livro...já dá pra começar a rabiscar, né??? ;) Bjão!

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  3. AS VEZES RELENDO O QUE ESCREVI, PENSO: ''EU DEVIA ESTAR LOUCA1"! KKKKKKK!

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  4. Acabei de ler! a sensação é inevitável, às vezes ñ damos chances pro amor, só porq ja o sentimos, o amor tem que ser sentido todo o tempo de nossas vidas, é só nos permitirmos... eu que o diga! e posso dizer que encontrei minha Janaina Eduarda,( Duda);) o AMOR sorriu pra mim de novo! :)

    torço pra que sua "Duda" ñ se demore!

    te amo...

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